Exposição Natureza Móvel

Curadoria: Sérgio Moriconi

O que estariam querendo nos dizer duas dezenas de capas de LPs expostas num ambiente que aparentemente nada tem a ver com a música? Depois de desaparecer, o vinil voltou e é objeto de culto entre muitos jovens nos dias de hoje. Muita gente se pergunta por que as novas tecnologias não enterraram de vez esses objetos obsoletos. Velhos hábitos nem sempre são fruto da nostalgia, muito menos quando resgatados e adotados por indivíduos jovens e que dispõem de métodos modernos de sua geração para alcançarem o mesmo fim. Streaming, MP3, Download, Pen Drive, são todos modos pragmáticos e sem rosto de usufruir a música, ao contrário dos long plays, cujas capas anunciavam de forma lúdica aquilo que podia ser ouvido. Introduções gráficas ao universo do artista, ao conteúdo que a música queria comunicar, as capas dos vinis nos faziam sonhar através do atributo mágico, lúdico e subjetivo da arte visual.

Natureza Móvel segue o percurso lógico da relação do homem com a natureza desde meados do século XX aos dias de hoje. É uma construção por espelho: à primeira imagem de uma flor sob o azul celeste do céu, seguimos até a imagem derradeira da flor encapsulada num ambiente asséptico e sem vida; ao voo livre dos pássaros (segunda imagem) se contrapõe uma vassoura ante um ambiente vegetal (penúltima imagem), denunciando a presença do homem; à faina dos agricultores sobre a pilha de feno, se opõe a sinistra figura (a morte?) do indivíduo com a foice no trigal. Entre essas três dicotomias mencionadas, a faina do homem, a domesticação da natureza, os enlatados, as ilustrações da banana e da Coca-Cola de Andy Warhol (a natureza como metáfora pop) – simbolizando, no contexto da exposição, o descolamento do homem da natureza. Por fim, os efeitos perversos da industrialização, antecipados, em contraponto, com as representações dos enlatados.

Natureza Móvel é uma outra forma de expressar um dos conceitos que norteiam o SLOW FILME e também um outro modo de perceber “a música” que embala a nossa contemporaneidade.

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